Hospital da Posse corre risco de fechar as portas

02/12/2016


O Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), conhecido como Hospital da Posse, comunicou ao CREMERJ nesta sexta-feira, 2, que há risco iminente de fechamento da unidade nos próximos dias. O hospital possui problemas no abastecimento de insumos e medicamentos. A situação pode piorar caso os repasses de verbas não sejam regularizados e atualizados em função do aumento da demanda. O Hospital da Posse é a principal referência de atendimento na Baixada Fluminense. Hoje, a unidade atende 15 mil pacientes por mês. Em 2013, eram quatro mil.

“É incalculável o impacto que a restrição de atendimento no Hospital da Posse causará a toda região da Baixada Fluminense. Hoje, o HGNI é a principal unidade onde essa população procura por atendimento. As pessoas não podem ficar desassistidas. Com todo esse aumento da demanda de pacientes, a necessidade de adequar as verbas da unidade é urgente”, alerta Pablo Vazquez, presidente do CREMERJ.

Depois de muitos esforços da direção do hospital, foi necessário restringir os atendimentos priorizando casos mais urgentes, além de readequar os serviços à nova realidade para garantir o mínimo de qualidade assistencial. O HGNI manterá apenas o atendimento para pacientes internados, pós-operatórios e os casos graves da emergência. As cirurgias eletivas estão canceladas desde o início de novembro e o atendimento ambulatorial também foi suspenso.

O Hospital da Posse, apesar de ser municipal, atende a toda a Baixada Fluminense, onde vivem cerca de três milhões de pessoas, que em sua maioria dependem única e exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Deste total de pacientes atendidos, 45% são de outros municípios da região e não somente de Nova Iguaçu. A unidade também é porta de entrada para todos os acidentados na Rodovia Presidente Dutra e no Arco Metropolitano, que cortam vários municípios da Baixada.

O repasse do Governo do Estado está com atraso há quase um ano com a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu. Por mês, o repasse deveria ser de R$ 1,5 milhão. A dívida atualizada com atrasos supera R$ 29 milhões. Desde 2013, o valor mensal repassado pelo Ministério da Saúde ao hospital é de R$ 6,3 milhões, mas a média de atendimentos subiu 275% de 2013 para 2015.
 
Segundo a direção do HGNI, há pelo menos três anos, a demanda por assistência vem aumentando significativamente, o que por si só justificaria um aporte maior nos repasses. Entre 2014 e 2015, o Hospital da Posse foi a unidade que mais internou no estado, ficando à frente de unidades estaduais e federais de grande porte.
 
Conforme comunicado ao Cremerj, foram enviados 118 ofícios informando a superlotação e os problemas de abastecimento de insumos e medicamentos para os seguintes órgãos: Defensoria Pública; Ministério Público Federal; Ministério Público Estadual; Secretaria Estadual de Saúde e de todos os municípios ao redor; Procuradoria; Ministério da Saúde; Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS); Câmara Municipal; e prefeitura municipal de Nova Iguaçu. Também foram enviados ofícios notificando ao Samu, à Nova Dutra e ao Grupamento de Socorro de Emergência (GSE). 

O último ofício, enviado ao Ministério da Saúde, solicitou a aquisição de equipamentos e materiais para o hospital. Lamentavelmente, a pasta caracterizou a demanda do HGNI como não prioritária. Em novembro, representantes do Cremerj estiveram com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para pedir intervenção federal no setor em todo estado do Rio, que tem sofrido com a grave crise econômica.

“No relatório entregue ao ministro, listamos todas as necessidades e carências das unidades, incluindo o Hospital da Posse. Infelizmente, Ricardo Barros recusou nosso pedido. A situação é urgente. O Hospital da Posse precisa de socorro e isso só acontecerá com o repasse de recursos financeiros”, afirma Nelson Nahon, vice-presidente do CREMERJ.    

Foto: Agência Brasil