HUCFF: Médicos levam pedido de contratação ao MEC

20/10/2016


O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que há quinze anos tinha 515 leitos, hoje dispõe de apenas 275. Há ainda 60 leitos que foram recentemente reformados, mas não estão sendo utilizados por falta de profissionais.
 
O diretor do hospital, Eduardo Côrtes, explica ser necessários mais 180 profissionais para o hospital cobrir esses leitos, mas a contratação depende do Ministério da Educação (MEC), ao qual a universidade é vinculada. “Não temos gente para abrir. Os leitos estão desperdiçados, enquanto vemos o caos no Rio de Janeiro. A contratação de profissionais permitirá que o HUCFF possa atender melhor à população, inclusive em casos de alta complexidade”.
 
Para solicitar uma contratação emergencial e oferecer melhor atendimento à população, o 2º secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Sidnei Ferreira, acompanhou a diretoria do Hospital Universitário em reunião com o MEC, no dia 19 de outubro. O grupo de médicos foi recebido pela diretoria da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e pelo o chefe de gabinete, Raphael Callou, que garantiu que o atendimento no HUCFF já é ponto de pauta do Ministro Mendonça Filho. Uma nova audiência ficou agendada para que os médicos possam levar suas reivindicações diretamente ao Ministro.
 
Uma das saídas apresentadas na reunião foi a transferência da gestão do hospital para a Ebserh, opção que, para Côrtes está fora de questão. “A lei fala que a adesão não é obrigatória. Não se pode dizer "só dou recursos se você entrar para essa tal empresa". Isso é inaceitável, porque é a necessidade da população, é a necessidade do ensino e a própria necessidade técnica de orientar as decisões no governo. Essa é uma discussão de toda a Universidade, esse não é o momento”, criticou o diretor.
 
Reforço – Durante a audiência em Brasília, o diretor do CFM, Sidnei Ferreira, lamentou que o hospital tenha leitos disponíveis que não possam ser utilizados por falta de profissionais. Ele reforçou que além de garantir o atendimento da população do RJ, os leitos contribuirão para formação de novos profissionais. 

“O ensino está prejudicado e ainda piorará. O Hospital tem grande importância na formação de médicos e outros profissionais de saúde, fora da pós-graduação. Além do atendimento emergencial da população, essa estrutura proporcionará atender às atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade. Essa é uma questão muito grave e pode condenar à morte ou à sequelas aqueles que não consigam leitos. Essa situação precisa de atenção do Ministério, entretanto é preciso que o ministro nos atenda e não a Ebserh”, declarou.

Segundo o vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, as 22 novas vagas de CTI da UFRJ seriam fundamentais para tentar desafogar a procura. “Esse déficit significa que há pacientes graves que podem ir a óbito porque não têm vaga garantida. É lamentável que o governo federal venha recusando uma contratação que é fundamental”.

Referência no tratamento de doenças de alta complexidade, o HUCFF realiza, por mês, cerca de 20 mil atendimentos ambulatoriais, 450 cirurgias e 700 internações em 42 especialidades médicas. Entre os 23 programas de alta complexidade, a unidade faz transplante de córnea, de rim e de medula óssea.

Também participaram da reunião a deputada federal Soraya Santos e o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze. 

Matéria publicada no site do CFM em 20.10.2016.