Angra: Médicos do Hospital da Japuíba fazem denúncia ao CRM

10/08/2016


Médicos do corpo clínico do Hospital Jorge Elias Miguel, conhecido como Hospital Geral da Japuíba, enviaram ofício ao CREMERJ para denunciar as péssimas condições de trabalho na unidade, que impactam a assistência médica aos pacientes. 

Dentre os problemas, os médicos citaram o desfalque constante de equipes médicas de atendimento na emergência, por conta de fim de contratos e restrição de horas extras, além da não realização de concurso público ou contratação emergencial. Segundo eles, o déficit de recursos humanos vem comprometendo de forma evidente a qualidade da assistência no único hospital público de emergência do município. 

Na Unidade de Pacientes Graves (UPG), faltam plantonistas em períodos de até 48 horas consecutivas. A unidade possui dez leitos de internação, sendo necessária uma equipe composta por dois intensivistas para plantões e um intensivista de rotina. Essa composição nunca foi cumprida e o setor é assistido por um único plantonista. 

Faltam ainda especialistas nos setores de cirurgia geral, ortopedia e pediatria. O desfalque de equipes também é uma realidade no Serviço de Pronto-atendimento (SPA), a antiga UPA, o que acaba gerando o desvio de atendimento de baixa complexidade para as equipes da grande emergência.

O HGJ sofre ainda com a superlotação de leitos nos setores de emergência e repouso, por falta de leitos no serviço de clínica médica para absorver a demanda de internações. 

Segundo os médicos, faltam inúmeros itens como insumos básicos e medicamentos de uso em emergência, tais como hidrocortisona, noradrenalina, transamin, albumina, entre outros. Há também um número insuficiente de aparelhos respiradores e monitores. As condições estruturais da sala de cirurgia estão com mofo no teto, torneiras para assepsia das mãos com sensores quebrados e falta de insumos que comprometem a segurança dos procedimentos. 

“Essa crise na saúde do município é antiga. A prefeitura fechou a UPA da cidade e alocou dentro do hospital, não consegue resolver a questão da contratação de recursos humanos através de concurso. O CREMERJ já esteve em reuniões com os médicos na seccional de Angra e no próprio hospital, porque esse é um problema crônico que vem comprometendo as condições de trabalho e a assistência médica à população”, relata Nelson Nahon, vice-presidente do CREMERJ. 

O Conselho cobrará explicações à direção do hospital e secretária de saúde do município, além de levar o caso ao Ministério Público.