CREMERJ realiza nova fiscalização no Hemorio

30/06/2016


Os diretores Nelson Nahon e Gil Simões participaram nessa quarta-feira, 22, de uma fiscalização no Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti (Hemorio). O objetivo foi averiguar a denúncia feita pela comissão de ética sobre a da irregularidade na manutenção de equipamentos e a inconstância de estoque de insumos e medicação, além da falta de médicos plantonistas na recém-inaugurada Unidade de Cuidados Avançados (UCA), que segundo o relatório de fiscalização do CREMERJ funciona, na verdade, como Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Inaugurada há um mês, a UTI foi montada para atender a pacientes muito graves, no entanto, o setor não possui médico intensivista em número suficiente para a cobertura de todos os plantões. Há apenas cinco especialistas e, nos finais de semana, não há médico exclusivo no serviço, ficando a assistência a cargo dos plantonistas, que são responsáveis também por todos os pacientes do hospital. 

Segundo o diretor-geral do Hemorio, Luiz Amorim, para montar a escala de plantonistas e médicos de rotina da UTI é necessário de oito a nove médicos intensivistas. Ele esclareceu que os profissionais só podem ser lotados no instituto por meio de concurso público - o último realizado não tem mais banco de reserva de candidatos.

Os diretores do CREMERJ também questionaram a irregularidade do estoque de materiais e medicamentos. De acordo com Amorim, essa inconstância se deve ao fato de que esses itens devem ser adquiridos por licitação, o que explicaria a morosidade do processo. Eles também informaram que o hospital conta com recursos mensais do Fundo Estadual de Saúde (Rede/FES) no valor de R$ 100 mil para compras de urgência, mas alegaram que é insuficiente para o porte e perfil do instituto. 

Outro ponto levantado por Nelson Nahon e Gil Simões foi a ausência de reparo dos aparelhos de endoscopia e ecocardiograma, que estão inoperantes desde janeiro de 2016, além da falta de dosímetros, que são fundamentais nos exames radiológicos. A direção do Hemorio informou que a empresa responsável pela engenharia clínica é contratada pela Fundação Saúde, contudo, pela limitação de recursos, ainda não foi possível o reparo dos aparelhos. 

“Tudo que foi dito pela comissão de ética foi comprovado. Infelizmente, o Hemorio sofre o mesmo problema de outras unidades estaduais: não dispõe de recursos financeiros para se manter. O CREMERJ vai notificar a Fundação Saúde e o secretário estadual de Saúde e cobrar esclarecimentos e condutas para solucionar os problemas”, adiantou Gil Simões, que também é coordenador da Comissão de Fiscalização do CREMERJ (Cofis). 

Olimpíada

Por último, foi questionado sobre o estoque do banco de sangue, em especial para cobertura do período dos Jogos Olímpicos. A direção informou que será feita uma campanha de doação para aumentar o estoque de sangue, que contará com a participação de atletas olímpicos e paralímpicos. Além disso, foram traçados vários planos para aumentar a captação de doadores.
 
No plano inicial estava previsto a construção de quatro pólos de coleta descentralizados, mas este planejamento não foi adiante.  No momento, o instituto está com um ônibus para coleta móvel e ainda estão sendo reformados outros dois com o objetivo de cumprir a meta. Se ainda assim os estoques forem insuficientes há a possibilidade de pedir apoio a São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.

Crise

Essa foi a segunda fiscalização realizada no Hemorio pelo CREMERJ em dois meses. Em abril, o presidente da entidade, Pablo Vazquez, reuniu-se com a direção e a comissão de ética médica da unidade para discutir a suspensão de parte do atendimento, ocasionado pela greve dos funcionários terceirizados. A interrupção afetou diretamente vários setores da unidade, como o atendimento laboratorial, administrativo, a coleta móvel de sangue, o serviço de segurança e a hotelaria. O Conselho denunciou o problema ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Foto da Unidade de Terapia Intensiva (UTI)/ Divulgação da Secretaria de Estado de Saúde (SES)