Fiscalização no HUAP aponta problemas graves na unidade

10/06/2016


O CREMERJ denunciará para o Ministério Público a situação crítica do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). A unidade, que aderiu à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em março, continua com problemas de superlotação, déficit de recursos humanos e falta de medicamentos e instalações adequadas, conforme constatou o Conselho em fiscalização no dia 1º.
 
Durante a visita na emergência, a Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ encontrou pacientes internados no corredor, em cadeiras e no consultório. A unidade semi-intensiva, que funciona na prática como Centro de Tratamento Intensivo (CTI) devido à complexidade dos doentes assistidos, possui apenas 10 leitos ativos, sendo que três destes estão ocupados por pacientes crônicos, internados há mais de um ano. 
 
O espaço entre os leitos é mínimo e não permite o isolamento adequado de pacientes com bactérias resistentes, o que facilita a proliferação e contaminação de outras pessoas internadas e dos profissionais. De acordo com funcionários, apesar de funcionar de modo referenciado desde julho de 2008, a emergência recebe um grande número de doentes por dia, a maioria com doenças complexas e graves, que necessitam de internação. 
 
No local, a equipe também constatou a ausência de monitores e ventilador mecânico para todos os leitos, assim como a falta equipamentos adequados para higiene dos profissionais. Também foi verificada a carência de medicamentos, como enalapril e losartana, e de insumos, como frasco para exames de urina.
 
Outro problema que impacta o atendimento é o déficit de médicos clínicos, ortopedistas e cirurgiões pediátricos, além de enfermeiros e técnicos de enfermagem em todo o HUAP. A redução da equipe resultou no fechamento de 64 leitos de clínica médica e cirúrgica. 
 
No final do ano passado, quando a crise financeira dos hospitais universitários se intensificou, o HUAP aderiu à Ebserh, alegando que a mudança era necessária para garantir investimentos e a abertura de concursos públicos para a unidade.  No entanto, a situação permanece a mesma encontrada na fiscalização realizada pelo CREMERJ no dia 3 de dezembro.
 
O mesmo caso acontece no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, que também aderiu à Ebserh no mesmo período. Segundo funcionários da unidade, em reunião na última quinta-feira, 2, a empresa informou que a proposta é que a unidade entre em equilíbrio nos próximos dois anos e que ocorram mudanças reais, como melhorias, só nos próximos cinco anos.
 
“É muito grave tudo que estamos vendo no HUAP, que é uma referência na formação de novos médicos e também na assistência à saúde da população de Niterói e região. Vamos denunciar ao Ministério Público a situação que encontramos e solicitar esclarecimentos à Ebserh. A população merece um atendimento digno e de qualidade, assim como os médicos têm direito de exercer a sua profissão com condições adequadas de trabalho”, declarou o presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez.