Iecac suspende cirurgias e exames

12/05/2016


O CREMERJ vai convocar para uma reunião o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior, para discutir a crise no atendimento do Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (Iecac). Em fiscalização realizada pelo Conselho nesta sexta-feira, 06, foram constatados problemas graves, que têm impactado diretamente o atendimento dos pacientes e o trabalho dos profissionais da unidade, que é referência no tratamento de patologias cardíacas de alta complexidade em adultos e crianças. 

Na vistoria, a Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ verificou que o instituto sofre com o déficit de recursos humanos e de materiais essenciais para a realização de cirurgias e exames. Por conta disso, atendimentos e cirurgias importantes têm sido suspensas, colocando em risco a vida dos pacientes. O CTI pós-operatório e as demais Unidades Intensivas (UIs) também não possuem equipe suficiente. O problema foi agravado com a paralisação dos terceirizados, que atuam nas áreas administrativa, de segurança, de limpeza e da cozinha, após ficarem três meses sem receber salários. Em razão disso, atividades administrativas estão sendo executadas por profissionais que trabalham no ambulatório.  

A fiscalização mostrou ainda problemas na manutenção de equipamentos de exames e elevadores. Já no setor de ergometria, a sala de exames está fechada por falta de aquisição de esteiras e outros materiais.

“Esperamos que as autoridades competentes se sensibilizem e, com isso, passem a prover o Iecac com o que lhe é devido. Queremos e devemos prestar a devida atenção aos nossos pacientes”, disse a presidente do corpo clínico do instituto, Francisca Bottino. 

De acordo com o coordenador da Cofis, o diretor Gil Simões, a vistoria foi feita após um pedido da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e faz parte do Programa de Monitoramento Hospitalar, da Defensoria. Ele explicou que o objetivo do projeto é percorrer hospitais municipais e estaduais nos próximos meses para averiguar a situação de cada unidade. A primeira fiscalização aconteceu  no Hospital Estadual Carlos Chagas (HECC), onde também foram encontradas muitas deficiências e superlotação. 

“O Iecac é de extrema importância para o atendimento médico do Rio de Janeiro e é inaceitável que ele opere tão abaixo da sua capacidade. Vamos agendar uma reunião com o secretário estadual de Saúde para apresentar o relatório da fiscalização, expor todos os problemas e cobrar uma solução o mais rápido possível. Sabemos que o Estado está em crise, mas os investimentos na Saúde são obrigatórios”, declarou Gil Simões.