Médicos do HMCT estão sem receber salários há 4 meses

14/04/2016


Referência no atendimento de pacientes soropositivos em Niterói e região, o Hospital Municipal Carlos Tortelly (HMCT) corre o risco de ter parte de suas atividades suspensas. Sem receber salários há quatro meses, os médicos da enfermaria de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida) avaliam a possibilidade entrar em greve nos próximos dias. O serviço é administrado pelo Grupo Pela Vidda Niterói.

De acordo com Inácio Queiroz, representante desta instituição, o grupo não tem recebido os repasses da Fundação Municipal de Saúde desde novembro. O entrave acontece porque o contrato entre as partes não foi renovado.

“Durante a negociação de assinatura, a prefeitura sugeriu um corte no valor dos repasses, mas recomendou que os serviços deveriam ser mantidos com a mesma qualidade e número de profissionais. Recusamos a proposta, pois, infelizmente, contamos apenas com o recurso estipulado no convênio para fazer a gestão. Se aceitássemos, não teríamos como manter o serviço com qualidade, prejudicando os pacientes e também a ONG”, justificou.

Queiroz ainda explicou que, durante reunião com a fundação, no último mês, foi decidido que os pagamentos seriam feitos até o dia 31 de março e que o contrato seria renovado em novos moldes. No entanto, o acordo não foi cumprido. Uma nova data, 7 de abril, foi estipulada para o repasse, o que também não aconteceu.

Apesar do impasse, os 14 médicos infectologistas continuam atuando no Carlos Tortelly, que possui um serviço de hospital-dia com cinco leitos, um Centro de Testagem Anônima (CTA) em HIV e Aids e um Serviço de Atenção Especializada (SAE), com 12 leitos. Cerca de 2,4 mil pacientes são atendidos mensalmente na unidade. Além da assistência aos pacientes soropositivos, a Sida atende vítimas de acidentes com materiais biológicos.

“O CREMERJ está acompanhando a situação dos médicos do HMCT e daremos o suporte necessário para que o impasse seja resolvido. Uma solução precisa ser tomada urgentemente, pois esse hospital é referência para os pacientes soropositivos e eles não podem ficar desassistidos. Como temos destacado, sabemos que existe uma crise econômica, mas a saúde deve ser tratada com prioridade”, declarou o vice-presidente do CRM, Nelson Nahon.