Movimento “Hupe Resiste” promove manifestação no Maracanã

29/01/2016


O movimento “Hupe Resiste” realizou nesta sexta-feira, 29, mais uma manifestação contra o fechamento do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). Os manifestantes se concentraram em frente ao Maracanã e seguiram até a porta principal da unidade. Com palavras de ordem e cartazes, cerca de 500 pessoas participaram do ato público, que ganhou o apoio de pedestres e motoristas.

A mobilização reuniu o corpo clínico, residentes, estudantes de medicina, funcionários terceirizados, professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e representantes de entidades médicas, como CREMERJ, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ). O presidente do Conselho do Rio, Pablo Vazquez, o diretor Renato Graça e o conselheiro federal Sidnei Ferreira participaram do ato público e mostraram mais uma vez o apoio da entidade ao movimento.

“O CREMERJ apoia integralmente o “Hupe Resiste” por se tratar de uma causa justa e ética. Essa organização é fundamental para a recuperação imediata do Hupe, garantindo todas as suas características de hospital universitário, como uma formação de qualidade para novos médicos e outros profissionais de saúde, além de garantir políticas públicas de saúde dignas para a população”, declarou Vazquez. 

Devido ao atraso nos repasses por parte da prefeitura e do governo do Estado, o Hupe tem enfrentando situações críticas, com o déficit de insumos e medicamentos, o atraso no pagamento de fornecedores e problemas para fazer reparos estruturais. No início deste mês, a unidade suspendeu as cirurgias eletivas e passou a antecipar a alta de pacientes que não correm risco de morte.

Parte dos funcionários terceirizados paralisou suas atividades em função do atraso dos salários. Roupeiros e funcionários da limpeza, da segurança, da manutenção, da engenharia clínica e da administração não receberam os salários de dezembro. Os residentes também estão com o pagamento das bolsas atrasados.

De acordo com o diretor da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj) Vitor Alvarenga, o movimento “Hupe Resiste” é a união de todas as categorias do hospital e também dos usuários.“Esse hospital não pode fechar as portas. Ele é responsável pelo atendimento de alta complexidade, trata doenças graves e raras que nenhum outro hospital atende. É uma unidade que tem um diferencial das demais e com um grande potencial, que é o formador humano, imprescindível para a assistência da nossa população. Não vamos permitir que o Hupe seja fechado”, desabafou.

Durante os discursos, o diretor da unidade, Edmar Santos, falou dos esforços para receber os repasses que estão atrasados e da recuperação do hospital. “Se conseguirmos os recursos necessários não teremos nenhuma dificuldade em reagir a essa crise e rapidamente responder às necessidades da população do Rio de Janeiro. Vamos continuar fazendo todo o possível para que o Hupe volte a sua atividade plena”, disse.

No protesto, o presidente do Sinmed-RJ, Jorge Darze, ressaltou que a Saúde deve ser a prioridade dos governos municipais e estadual e que as verbas devem ser liberadas o mais breve possível. “Saúde é prioridade. A crise existe, mas os hospitais não podem ficar sem seus recursos básicos”, declarou. 

Com capacidade para mais de 500 leitos, o Pedro Ernesto utiliza atualmente 176. Hoje, em enfermarias com capacidade para 20 vagas, têm três ou quatro pacientes internados. Em média, só 30% dos leitos estão ocupados.

Movimento “Hupe Resiste” também ocupou o Palácio Guanabara 

Nessa quinta-feira, 28, cerca de 200 pessoas, entre elas residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) e alunos da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), fizeram um protesto em frente à sede do governo do Estado, o Palácio Guanabara. Os manifestantes provocaram engarrafamento ao interromperem várias vezes o trânsito de veículos em uma das faixas da Rua Pinheiro Machado. O grupo conseguiu ser recebido pelo chefe de gabinete do governador, Afonso Monerat, que garantiu que “está totalmente fora de cogitação o fechamento do hospital”.