Residentes fazem manifestação no Centro do Rio

17/12/2015



Como parte do calendário do movimento de greve nacional, os médicos residentes do Estado promoveram, nesta terça-feira, 15, manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj). Desde o último dia 8, residentes de todo o país estão em greve com o objetivo de chamar a atenção para suas reivindicações, entre elas melhores condições de trabalho. O ato foi coordenado pela Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj) e teve o apoio do CREMERJ. Cerca de 400 pessoas participaram do protesto. 

Representando o Conselho, o presidente Pablo Vazquez, mostrou mais uma vez apoio à luta dos residentes. “É um absurdo que hoje estejamos aqui para denunciar a situação em que estão os hospitais públicos e os problemas que isso gera para o aprendizado dos novos médicos e ao atendimento à população. O CREMERJ, em conjunto com outras entidades, tem uma reunião no dia 16 em Brasília com os Ministérios da Saúde e da Educação, e vamos exigir que os hospitais federais universitários saiam dessa situação. Vamos fazer o mesmo em relação às unidades estaduais e municipais. Essa condição não pode continuar e a saúde precisa ter seus recursos em dia, independentemente de crise”, declarou Vazquez. 

O presidente da Amererj, João Felipe Zanconato, explicou que os residentes do Rio de Janeiro não lutam apenas por uma residência de qualidade, mas também pelo atendimento digno à população e por melhores condições para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ele também explicou que as negociações com o governo estadual e federal e com o Ministério da Educação (MEC) estão em andamento e que os novos rumos do movimento serão definidos ainda esta semana.  

“Acreditamos que antes do Réveillon tudo estará encaminhado, pois não é nossa intenção parar por muito tempo. Estamos esperando um sinal do governo para que haja negociação e a paralisação seja encerrada”, adiantou Zanconato. 

Durante o ato, os residentes foram convidados a falar sobre a situação das unidades que trabalham. O residente do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) Saulo Dias declarou que a condições da unidade é caótica. Além do sucateamento da estrutura, faltam insumos, as cirurgias eletivas foram suspensas e até o atendimento ambulatorial tem sido prejudicado por déficit de material.

“Esses fatos afetam bastante a formação e a qualidade no atendimento. Além disso, tem a questão dos salários que são muito defasados para a quantidade de horas que trabalhamos. O Hupa é um dos hospitais federais que mais sofreu crises nos últimos tempos e isso tem se intensificado. Temos que lutar para que isso mude”, disse. 

Eduardo Pimenta, residente do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, mais conhecido como Hospital do Fundão, também relatou a situação precária da unidade. Ele contou que faltam insumos e medicamentos e que, em função disto, as cirurgias eletivas foram canceladas. 

“Não vamos aceitar sofrer as consequências dessa crise política, pois dinheiro tem. Se existe dinheiro para fazer evento olímpico, tem que ter dinheiro para a saúde. Não podemos aceitar tudo sem questionar. Nossa participação vem somar o esforço de todos os residentes do Estado para uma especialização de qualidade e um atendimento melhor para a população”, frisou.