CREMERJ apoia ato público em defesa do Hospital do Fundão

04/12/2015


Estudantes de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram, nesta sexta-feira, 4, um protesto contra a falta de repasses de recursos para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, mais conhecido como Hospital do Fundão. Com cartazes, faixas e palavras de ordem, os alunos se concentraram em frente à unidade pedindo mais investimentos no hospital e na educação. O CREMERJ mostrou mais uma vez apoio ao movimento com presença do presidente Pablo Vazquez e dos conselheiros Gil Simões, Vera Fonseca, Sidnei Ferreira e Alexandre Pinto Cardoso e a membro da Câmara Técnica de Oncologia Fátima Gaui.

“Não nos interessa se tem crise econômica ou crise política. Queremos que o atendimento no Fundão seja recuperado de forma imediata. A população, os estudantes e os residentes não podem ser prejudicados. Vamos tentar marcar audiência com os ministros da Saúde e da Educação e também com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) para debater o problema”, declarou o presidente do CREMERJ.

Devido à falta de pagamento, o Hospital do Fundão vem enfrentando situações críticas, como o déficit de insumos e medicamentos e a suspensão de internações e exames. Desde o início da semana, as cirurgias eletivas foram suspensas e as de emergência reduzidas. Dos 240 leitos da unidade, apenas 174 estão sendo utilizados. 

“De segunda a quinta-feira desta semana, 86 cirurgias foram canceladas por falta de material e o hospital também já reduziu os leitos. Na quarta-feira, o Fundo Nacional de Saúde repassou R$ 3.352.394, mas o déficit ainda está em torno dos R$ 7,7 milhões. É muito doloroso não atender nossos pacientes, mas nossos estoques de medicamentos e insumos estão escassos. Não temos como repor”, explicou o diretor geral da unidade, Eduardo Côrtes, acrescentando que um gabinete de crise foi criado para monitorar as consequências da falta de repasses.

Para o diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), José Alexandre Romano, a crise financeira do Fundão, e de outros hospitais universitários, reflete o descaso com a saúde pública no Estado. Ele enfatizou que a situação é de calamidade.

Em tratamento de câncer, o paciente P.J.S,  de 57 anos, é um dos pacientes que teve a cirurgia suspensa. Ele teme ter a sua doença agravada se a intervenção demorar a acontecer.

“A situação é muito triste. Temo por minha saúde e a de muitas outras pessoas que dependem do Fundão. Temos que mostrar aos governantes que não aceitamos isso. Ter uma saúde de qualidade é nosso direito”, desabafou.

Dando sequência ao movimento pela valorização dos hospitais universitários, o CREMERJ, o Sinmed-RJ, a Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), a Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), estudantes, residentes e médicos do Hospital Gaffrée e Guinle, da Unirio, farão uma manifestação nesta quarta-feira, 9, às 9h. Com as mobilizações, o objetivo é chamar a atenção para que o governo assegure o financiamento adequado para as unidades, garantindo, assim, uma assistência de qualidade à população.

Depoimentos

Há nove anos no Fundão, a residente e diretora da Amererj Layla Almeida comentou que a deterioração da unidade acontece há muito tempo. “Estou no final da minha residência em infectologia. Entrei no Fundão em 2006 e desde então as condições de ensino e trabalho só vêm piorando. Com a crise econômica  e política, alcançamos a agudização máxima. A frustração e revoltada são um estado crônico. Os principais prejudicados são os pacientes mais pobres, que não têm para onde ir e ficarão entregues à própria sorte.”

A ideia foi reforçada por Pedro Velloso, estudante do 12º período de medicina. “Estou no hospital há seis anos e vemos a situação piorando cada vez mais. Faltam coisas básicas, como dosagem de hemograma, ureia, creatinina, exames de imagens, luvas, agulhas, seringas e muitas outras coisas simples. A grande verdade é que o Hospital do Fundão continua de pé e sendo referência para tratamento de diversas doenças devido aos excelentes médicos da instituição e seus residentes. Garanto que se os pacientes forem ouvidos, dez em cada dez afirmarão que não querem sair do hospital”.