Crise na saúde pública de Teresópolis é tema de reunião no MP

05/11/2015


O CREMERJ participou nesta terça-feira, 3, de reunião no Ministério Público de Teresópolis para discutir e procurar saídas para a crise financeira que atingiu as unidades de saúde do município. O problema é antigo, mas se agravou recentemente, por conta dos atrasos e da falta de repasses de recursos da prefeitura.

O encontro contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis, do Ministério Público, da Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso), da Auditoria do Estado, do Hospital de Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCT), da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h Nathan Garcia Leitão, da Central de Regulação do Estado e do Conselho de Secretariais Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Cosems-RJ).   

O município acumula dívida de cerca de R$ 15 milhões com o HCT. Segundo representantes da unidade, por conta da falta de repasse, os salários dos funcionários estão atrasados e o hospital não consegue quitar as dívidas com os fornecedores.

A UPA  também passa por situação caótica, com falta de medicamentos. A própria promotoria constatou que há falta de mais 30 tipos de remédios. No dia da reunião tinha cinco pacientes na sala vermelha, que suporta somente quatro;  a sala amarela também apresentava sobrecarga de pacientes, além de pacientes internados nas cadeiras de hidratação. 

O vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, destacou que a cidade precisa de auxílio do governo do Estado, caso contrário não conseguirá superar a crise em curto prazo. 

“O que está acontecendo com as unidades hospitalares de Teresópolis é um reflexo do caos que o município enfrenta. É preciso garantir a qualidade do atendimento à população, assim como as condições de trabalho dos médicos. Vamos continuar acompanhando de perto”, adiantou Nahon.  

A principal luta do CREMERJ é a defesa da saúde e do atendimento digno da população, mas para que isso aconteça os médicos e profissionais de saúde precisam ter condições para realizar seu trabalho. "É inadmissível que a cidade não tenha ambulância para realizar o transporte de pacientes e dependa das ambulâncias do Corpo de Bombeiros", reforçou Paulo Barros, que é coordenador da seccional do CREMERJ em Teresópolis. 

Desde o início do ano, o CREMERJ se mobiliza para tentar reverter a situação da saúde do município. Em agosto, o Conselho entrou com uma ação civil pública contra a prefeitura e novas fiscalizações foram realizadas. Foi programada uma reunião para esta quinta-feira, 5, às 15h, para discutir as estratégias para amenizar o problema. O encontro contará com a presença do prefeito Márcio Catão, do procurador geral do município, o secretário municipal de Saúde e de representantes da Feso.