CRM e Justiça Federal fazem inspeção judicial em Teresópolis

19/10/2015


Em resposta à ação civil proposta pelo CREMERJ contra o município de Teresópolis, o juiz da Vara Federal Única de Teresópolis, Caio Taranto – acompanhado por dois oficiais de Justiça e por representantes do Conselho – realizou uma inspeção judicial nos hospitais Eitel Abdallah Haje Atue Neme e Beneficência Portuguesa de Teresópolis, nessa quarta-feira, 14.

Durante a fiscalização foram constatadas diversas irregularidades antigas e recorrentes. “A Beneficência Portuguesa, um hospital que poderia funcionar como retaguarda para aliviar as UPAs, tem uma contratação insignificante pela prefeitura, que até hoje não se interessou em instalar o Samu no município. Há a necessidade da implantação de uma central de regulação e do Programa de Atenção Domiciliar (PAD), que provocaria maior rotatividade na unidade, resultando em mais leitos disponíveis”, alegou o vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon.

O coordenador e o representante da Seccional de Teresópolis do CREMERJ, Paulo Barros e Thiago Badaró; o diretor, o administrador e o gerente da Beneficência Portuguesa de Teresópolis, Paulo Ladislau, Edgard D’Almeida Filho e José Gustavo Aragão, respectivamente, também estiveram presentes na ocasião.
 
Segundo a assessora jurídica do CREMERJ Katia Oliveira o caos nos hospitais se deve à falta de repasse de verbas da prefeitura para subsidiar a saúde. “A ação do CREMERJ pedia a contratação de mais médicos com a regularização dos repasses, apresentando em relatório toda a situação vivida pelos médicos e pacientes da região. Através de uma inspeção previamente realizada pelos oficiais de Justiça, a pedido do juiz, foi constatada a veracidade de nossas denúncias e outras irregularidades que serão notificadas às autoridades competentes”, disse.
 
Para Paulo Barros, sem financiamento não há condições de se oferecer um atendimento digno à sociedade. "As unidades estão sucateadas, não há médicos em número adequado, faltam insumos, enfim, uma série de problemas que prejudicam o atendimento aos pacientes. A população duplicou de tamanho e existe grande carência de leitos na cidade”, afirmou Paulo Barros.
 
Após a reunião e inspeção na Beneficência Portuguesa, o juiz, os oficiais de Justiça e os representantes do CREMERJ seguiram para o hospital Eitel Abdallah Haje Atue Neme, onde, mais uma vez, depararam-se com o total descaso com a saúde pública. 
 
Na unidade foi constatado que há apenas um médico pediatra de plantão e dois clínicos; a emergência, que antes era 24 horas, atualmente funciona 12 horas, tendo perdido a função inicial de sua criação de atendimento de urgência e emergência, além de não possuir uma ambulância na porta. “No caso de uma emergência infantil, tenho que esperar por até uma hora a chegada de uma ambulância e acompanhar a criança até outra unidade, deixando o de plantão desassistida”, narrou uma pediatra da unidade.
 
Também foi averiguada a falta de insumos básicos, como gaze, soro e oxigênio. Material sem esterilização, desfribilador quebrado há quatro anos, péssimas condições de trabalho, a ausência de um diretor técnico e profissionais trabalhando sem contratos adequados foram alguns dos problemas verificados durante a inspeção. 
 
Caio Taranto reforçou a disponibilidade da Justiça Federal de Teresópolis em resolver a questão, finalizou o juiz.

Na foto, a inspeção judicial na Beneficência Portuguesa de Teresópolis.