Cerca de 800 residentes realizam ato público na Zona Sul do RJ

24/09/2015


Médicos residentes de todo o país paralisaram as atividades nesta quinta-feira, 24, em adesão ao Movimento Nacional de Valorização da Residência Médica. No Rio de Janeiro, cerca de 800 residentes se concentraram, por volta das 10h, em frente ao CREMERJ, de onde seguiram, com cartazes e faixas, em passeata até o Palácio Guanabara. A manifestação fechou, por cerca de 30 minutos, faixas da rua Pinheiro Machado, com reflexos até a avenida Francisco Bicalho.
 
Durante todo o ato, os residentes entregaram panfletos explicando as reivindicações do movimento. Eles tiveram apoio dos populares que acompanharam trechos da passeata e de moradores que acenaram das janelas.  Até os motoristas, que estavam no engarrafamento provocado pela mobilização, buzinaram em apoio. Muitos, inclusive, abaixaram os vidros para receber os panfletos e se declarar a favor do ato.
 
As principais reivindicações do movimento são: aumento da representação das entidades médicas na composição da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e fim da Câmara Recursal – que atua dentro da CNRM –; fiscalização imediata de todos os programas antes da abertura de novas vagas; plano de carreira e de valorização para os preceptores; plano de carreira nacional para médicos do Sistema Único de Saúde (SUS); fim imediato da carência de dez meses para que os residentes possam usufruir dos direitos do INSS; isonomia da bolsa de residência médica com a bolsa do programa Mais Médicos; cumprimento da legislação vigente que garante auxílio-moradia para os residentes; e levantamento dos cortes orçamentários ou suspensão destes em todos os serviços que tenham residência.
 
O presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, que acompanhou os colegas durante todo o ato público, reforçou que o Conselho apoia integralmente a causa. “Este movimento é ético e justo. Os residentes saíram dos seus postos de trabalho para irem às ruas denunciar a situação crítica da saúde pública. Os residentes lidam frequentemente com a falta de medicamentos e de insumos, a ausência de preceptoria e condições inadequadas de trabalho. Esses fatores comprometem a qualidade da assistência e é isso que eles vieram denunciar”, afirmou.
 
Para o presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), Diego Puccini, a mobilização no Rio de Janeiro foi um sucesso e terá continuidade.
 
“Esse ato mostrou a nossa capacidade de mobilização e de organização. É importante frisar que a residência é a melhor forma de especialização do médico. Valorizar os residentes e seus preceptores é valorizar a formação, é valorizar vidas. O movimento de hoje foi um sucesso e é só o começo”, afirmou Diego Puccini.
 
O diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) Norival Silva também declarou apoio ao ato. “O sindicato entende que esse movimento é importante. Temos, inclusive, um representante nosso que também integra a Comissão Nacional de Residência Médica. Estamos satisfeitos com essa luta e acreditamos que teremos resultados positivos”, disse.
 
Além das reivindicações de cunho nacional, representantes da residência médica de algumas unidades denunciaram problemas em seus postos de trabalho. No hospital da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, segundo residentes, faltam materiais básicos para a realização do atendimento. No Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), a situação de precariedade se repete.
 
“Esses casos prejudicam a assistência e comprometem a formação do residente. Por isso, viemos às ruas para chamar a atenção para o que tem acontecido dentro das unidades. Gostaria de aproveitar para ressaltar o sucesso desse movimento e parabenizar a todos os residentes que compareceram para lutar por melhorias. Esse é o caminho”, declarou Pablo Vazquez.
 
O coordenador da Comissão de Médicos Recém-Formados do CREMERJ, conselheiro Gil Simões, salientou também o sucesso da mobilização, com a participação em massa dos residentes e o apoio da população. Já o diretor da Amererj João Felipe Zanconato ressaltou que ainda ocorreram atos públicos em outros municípios, como Campos, Petrópolis e Volta Redonda, que foram simultâneos ao da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, Estados como São Paulo e Pernambuco aderiram ao movimento nacional, levando residentes às ruas.
 
Em continuidade à mobilização, os residentes se reunirão em assembleia na próxima quarta-feira, 30, na sede do CREMERJ, para avaliar o movimento. Eles estudam a realização de outros atos, como um mutirão de doação de sangue.