Situação de hospital em Cachoeiras de Macacu é crítica

14/09/2015


O CREMERJ constatou que a situação do Hospital Municipal Dr. Celso Martins, em Cachoeiras de Macacu, continua precária, após fiscalização na unidade nessa sexta-feira, 4. Além da falta de insumos e de medicamentos, há déficit de recursos humanos, superlotação e precariedade de infraestrutura.

A fiscalização foi solicitada pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para avaliar as condições atuais do hospital. Na visita, foi constatada uma série de irregularidades, como a deficiência de materiais básicos, inclusive laboratoriais, que dificulta a realização de exames – até os de urgência –, prejudicando o atendimento à população.

A unidade, que também é referência para a região na assistência de casos de trauma, não tem ortopedista de plantão – somente de sobreaviso – e não possui tomógrafo. Além disso, há desfalques nos plantões de clínica médica e carência de técnicos de enfermagem em todos os setores.

No plantão de domingo, o médico plantonista exerce simultaneamente duas funções, tendo que atender casos de cirurgia geral e de obstetrícia. “Isso é totalmente irregular e não funciona na prática. O médico está, por exemplo, no centro cirúrgico operando, chega uma gestante precisando de uma cesárea de emergência. O que ele faz? É uma situação absurda. A unidade necessita pelo menos ter de plantão um cirurgião geral e um obstetra”, afirmou o coordenador da Comissão de Fiscalização do CREMERJ, conselheiro Gil Simões.

Também preocupa a situação da Unidade de Pacientes Graves (UPG), que funciona como um CTI devido à gravidade dos pacientes ali internados, mas que, apesar disso, não tem um plantonista exclusivo. O médico de rotina é que avalia os pacientes diariamente pela manhã, ficando disponível até as 20h. Após esse período, as intercorrências ficam sob responsabilidade dos plantonistas da clínica médica, o que contraria a Resolução do CREMERJ 109/1996.

Há ainda grande demora no atendimento das solicitações de transferência para CTI feitas pela Central de Vagas do Estado e Central Serrana. Enquanto os leitos não são garantidos, esses pacientes são encaminhados para a UPG e ficam sem receber a assistência necessária.

Já nas instalações foram constatados insuficiência de rede de gases, falta de monitores, ausência de manutenção de equipamentos, consultórios de clínica médica sem pia, falta de materiais básicos para o atendimento de recém-nascidos e de crianças graves e déficit de consultórios de pediatria na emergência.

“Estamos falando de uma unidade importante para a região e constatamos tantas irregularidades. A situação não pode continuar assim. A população merece um atendimento de qualidade e os médicos devem trabalhar com condições dignas. O hospital precisa de investimentos para melhorar a sua assistência e medidas devem ser tomadas urgentemente”, salientou Gil Simões.

O CREMERJ enviará o relatório de fiscalização para a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para que sejam tomadas as devidas providências.