Desativação de serviços nos postos de saúde preocupa médicos

02/09/2015


Médicos do município do Rio de Janeiro que atuam em postos de saúde e de assistência médica participaram de uma reunião, nessa segunda-feira, 24 de agosto, com representantes do CREMERJ, em que destacaram a redução de vários atendimentos especializados, como pediatria, ginecologia e obstetrícia, mesmo tendo condições de realizá-los. O encontro também teria a participação de representante da Secretaria Municipal de Saúde, que não compareceu.

Uma das situações mais graves ocorre na Policlínica Rodolpho Rocco – antigo PAM Del Castilho –, onde médicos estatutários que trabalham há anos na unidade estão sendo ameaçados de transferência. “Eles alegam que o nosso atendimento foi reduzido, mas, na verdade, a Sistema de Regulação de Vagas (Sisreg) tem direcionado os nossos pacientes para outros locais. Somos referência em pediatria, pneumologia e pré-natal, além de outros serviços. Esse redirecionamento não faz sentido”, relatou uma médica da policlínica.

Segundo colegas, o caso se repete no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto – antigo Posto de Saúde de Copacabana. Apesar de ser referência em pediatria, a assistência às crianças foi encaminhada para uma Clínica da Família na região, onde o atendimento costuma ser feito por médicos generalistas ou enfermeiros.

“As mães vêm nos procurar, querendo que a gente volte a atender os seus filhos, mas não temos essa autonomia, nem os pacientes são direcionados para a nossa unidade. É uma situação complicada. Não temos nada contra os outros profissionais, acreditamos que eles fazem um excelente trabalho, mas nós, pediatras, estudamos para cuidar especificamente de crianças”, destacou.

No Centro Municipal de Saúde Ernesto Zeferino Tibau Júnior – antigo Posto de Saúde de São Cristóvão –, onde também funciona a Estratégia Saúde da Família da comunidade Tuiuti, os atendimentos especializados vêm perdendo espaço. Recentemente, eles foram transferidos para uma ala menor, localizada no segundo andar, e, em alguns momentos, médicos de especialidades distintas precisam dividir a mesma sala. A assistência ao pré-natal também é crítica, pois há déficit de obstetras.

O presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, salientou que o Conselho vem acompanhando a ameaça de transferência dos médicos do antigo PAM Del Castilho, além dos outros problemas relatados, o que motivou a reunião com a presença da Secretaria Municipal de Saúde. “Sabemos que a situação se repete em outras unidades, o que é grave. Queremos debater essa política de saúde com a Secretaria, que, infelizmente, não veio, pois o que estamos vendo é a desativação de serviços que são referência na cidade”, frisou. 

Os diretores do CREMERJ Nelson Nahon e Gil Simões informaram que agendarão novamente um encontro entre os médicos e a Secretaria de Saúde para discutir os assuntos relatados.

Os conselheiros Marília de Abreu e Sidnei Ferreira, que também é diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM), participaram da reunião.