Souza Aguiar: CREMERJ constata irregularidades em fiscalização

16/01/2015


Em fiscalização nessa quinta-feira, 15, o CREMERJ constatou que o CTI pediátrico do Hospital Municipal Souza Aguiar continua desativado e que é grave a situação da enfermaria de pediatria, que está sem refrigeração. Além disso, metade desse serviço passa por obras, o que vem ocasionando transtornos para médicos e pacientes, como o excesso de poeira. 

Fechado desde fevereiro de 2014, o CTI pediátrico passou a funcionar na Coordenação de Emergência Regional (CER) Centro, anexa ao hospital. Após denúncias do CREMERJ ao Ministério Público, a Justiça determinou, em novembro do ano passado, o retorno desse serviço para a sua unidade de origem em até 90 dias. Antes que o prazo fosse encerrado, o CTI pediátrico na CER fechou as portas e, até agora, não retomou as suas atividades no Souza Aguiar. Além disso, a falta de recursos humanos persiste.
  
“O que acontece nessa unidade é resultado de uma série de irregularidades e de irresponsabilidades. Há crianças precisando desses leitos, mas eles estão fechados. Não há previsão de reabertura, é um jogo de empurra, ninguém quer ser responsabilizado. Lutamos para que esse CTI não fosse desativado e agora lutamos pela sua reabertura. Existe uma decisão judicial que determina a reativação, desafiada pela Secretaria Municipal de Saúde e pela direção do hospital. O risco de morte é permanente para as crianças que lá são atendidas”, destacou o presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira.
 
Outro problema grave é o descaso com as crianças internadas na enfermaria pediátrica. O serviço é o único do hospital que não tem refrigeração. As salas, onde internam em média até 30 pacientes, ficam superaquecidas, com temperaturas que ultrapassam 38 graus. Alguns leitos, próximos à janela, acabam sendo expostos ao sol. Ventiladores antigos são ligados na tentativa de amenizar o calor, sem previsão de acabar, já que o sistema de energia do Souza Aguiar não comporta uma nova instalação.
 
“Essa situação é absurda. Nesse serviço, ficam crianças com gesso e com outros desconfortos causados pela doença ou pelo próprio tratamento. O verão no Rio de Janeiro não é novidade. A prefeitura já deveria ter se programado para encontrar uma solução”, declarou o diretor do CREMERJ Gil Simões, que coordena a Comissão de Fiscalização (Cofis) do Conselho.
 
As obras e o sistema de refrigeração na unidade estão sob responsabilidade da Midas M3. A chefia de manutenção da empresa informou que a energia que falta no Souza Aguiar atualmente foi transferida, há anos, para a inauguração da maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda. Por isso, hoje, eles buscam uma alternativa para essa situação.
 
“Na pressão de inaugurar a maternidade, ligaram a energia elétrica que vinha do Souza Aguiar, sobrecarregando o sistema do hospital”, completou Sidnei Ferreira.

Em relação às obras, não foi feito nenhum isolamento diferenciado, causando muita poeira em todo o andar. De acordo com os médicos, o pó proveniente da reforma tem atingido áreas importantes, como o local onde medicações de uso endovenoso são preparadas. A sujeira também tem provocado reações alérgicas em pacientes e funcionários.
 
“É dever da Secretaria Municipal de Saúde resolver esses problemas, que são graves. Essas crianças e seus responsáveis merecem um atendimento digno, e os médicos devem trabalhar em condições adequadas”, afirmou o presidente do CREMERJ.

Sem CTI pediátrico, algumas crianças são encaminhadas para a sala vermelha, que atende pacientes graves. Em visita técnica à CER Centro, o CREMERJ constatou que a ala em que funcionava o CTI está desativada, com refrigeração e equipamentos, com exceção dos leitos e de ventiladores. O coordenador médico da CER, Romero Junior, disse que, assim que a decisão judicial foi divulgada, médicos e funcionários começaram a se desvincular da unidade, o que gerou a desativação do setor antecipadamente.
 
No Souza Aguiar, médicos também denunciaram a diversidade de vínculos empregatícios e a disparidade de salários.
 
O CREMERJ denunciará ao Ministério Público todas as irregularidades encontradas no hospital para mostrar que a decisão não está sendo cumprida. O Conselho também pedirá explicações e ações da Secretaria Municipal de Saúde e da prefeitura.
 
Além de Sidnei Ferreira e Gil Simões, participaram da vistoria os diretores do CREMERJ Serafim Borges e Pablo Vazquez, e a médica fiscal Simone Assalie.