CREMERJ fiscaliza UPA e hospital pediátrico em Duque de Caxias

16/09/2014


A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Walter Garcia e o Hospital Ismélia da Silveira, que formam um complexo pediátrico em Duque de Caxias, foram fiscalizados nesta sexta-feira, 12, pelo CREMERJ após denúncias de que na unidade há falta de médicos e deficiências na segurança.

Segundo a direção, o complexo, que atende em média 500 pacientes por dia, costuma ter sete médicos na unidade diariamente. Na ala de pacientes com menor gravidade, normalmente a maior demanda, ficam cinco médicos. Porém, durante a fiscalização, havia três apenas, já que um profissional estava de licença e o outro de férias.

Os ambulatórios de especialidades foram transferidos, este mês, para uma policlínica próxima ao complexo, o que, de acordo com a direção, diminuiu o fluxo de pacientes. Com a mudança, a unidade passou a ter ortopedista, otorrinolaringologista e cirurgião pediátrico diariamente e pneumologista, endocrinologista e neurologista algumas vezes na semana.

Especialistas, como oftalmologista, têm apenas na policlínica, pois no complexo não há equipamento necessário para o diagnóstico. Segundo denúncias, duas crianças aguardavam o atendimento de um oftalmologista desde a semana passada. A direção explicou que o caso estava sendo resolvido, pois os pacientes seriam encaminhados nesta sexta-feira para a avaliação de um especialista.

A unidade possui uma ambulância, porém não conta com equipe própria. Por esse motivo, quando é necessário deslocar algum paciente, um dos pediatras que estão de plantão precisam acompanhar a criança, reduzindo ainda mais o número de médicos no dia.

Desde fevereiro, o hospital passa por obras, com previsão de término em dezembro. Onde funcionava a emergência, virou uma enfermaria. O CTI está temporariamente desativado.

Com relação à segurança, os médicos relataram que na unidade tem aumentado o número de casos de agressões verbais e atos de violência. Em função disso, a direção aumentou para dois o número de seguranças armados – até agosto era apenas um – e solicitou um orçamento para a instalação de câmeras escondidas na unidade, além de enviar ofício para a polícia solicitando reforço no entorno do complexo. Há também seguranças patrimoniais que ficam no interior da unidade.

De acordo com os colegas e com a direção, a maior carência de médicos acontece aos fins de semana.

“É fundamental que o médico e todos os profissionais dessa instituição trabalhem em segurança. Estamos aqui para ajudá-los a pressionar o governo por melhores condições de trabalho e, também, para tentar resolver o problema de recursos humanos, que vem afetando não só aqui, mas outras unidades de saúde do país”, afirmou o diretor do CREMERJ Pablo Vazquez.

A subsecretária de Atenção à Saúde, Márcia Caputo, que também faz parte do hospital, explicou que a unidade está se adaptando às mudanças e relatou que a direção teve dificuldades para contratar médicos por cooperativas. Segundo ela, o déficit de recursos humanos poderá ser parcialmente resolvido em 2015, quando a prefeitura deverá realizar um concurso público.

“O CREMERJ defende a realização de concursos públicos com salários dignos. Mas nos preocupa como ficará até lá, pois os colegas não podem continuar trabalhando inseguros, e a população merece receber um atendimento de qualidade”, salientou Vazquez.

A diretora do CREMERJ Marília de Abreu, a médica fiscal Márcia Cristina Ribeiro e o representante da seccional de Duque de Caxias, César Danilo, também participaram da fiscalização.