Médicos do Andaraí decidem permanecer em estado de greve

06/08/2014


O Hospital Federal do Andaraí se manterá em estado de greve, acompanhando as negociações entre as entidades médicas e o Ministério da Saúde sobre a gratificação por desempenho. A decisão foi tomada nessa quarta, 30, durante assembleia que contou com a participação dos médicos da unidade e de representantes do CREMERJ e do Sinmed-RJ.
 
Paralelamente, o hospital continua em diálogo com o Ministério da Saúde para resolver questões internas, que vêm atingindo gravemente as áreas administrativa e assistencial. Para a gestão, a proposta dos colegas é a criação de um colegiado gestor e a contratação de um responsável para os projetos de engenharia no Andaraí – o hospital continua sem diretor geral e sem chefias médicas, entre elas, algumas estratégicas como as de emergência e cirurgia.
 
“O Andaraí tem história e características próprias. É um hospital de referência, como outros hospitais federais. O que temos afirmado o tempo todo é que é preciso unir forças. As entidades continuam trabalhando. Temos ido aos hospitais para discutir o movimento, e na assembleia geral iremos debater qual a melhor forma de mobilização”, disse o presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira.
 
Ele ainda ressaltou que o Andaraí, apesar da situação calamitosa que tem enfrentado, deve se sentir vitorioso.
 
“Graças à mobilização do corpo clínico, dos demais funcionários e das entidades, há perspectivas de que se resolva o problema do hospital. As manifestações que fizemos no Andaraí repercutiram muito. Em relação à gratificação por desempenho, vamos continuar pressionando para que seja incluída no orçamento de 2015”, afirmou Sidnei Ferreira.
 
Ao abrir o encontro, o vice-diretor do corpo clínico da unidade, Sidney Franklin, fez um relato histórico do movimento no hospital, enfatizando o crescimento da luta por melhores condições de trabalho e pelo atendimento digno à população. A contratação de recursos humanos, a falta de insumos, além de problemas de estrutura e de higiene – como o funcionamento precário de elevadores, alagamentos, tubulações comprometidas e equipamentos quebrados – são alguns dos problemas que perduram há anos.
 
“Nos últimos três anos, a situação se agravou. O corpo clínico se organizou e vem lutando através da realização de várias ações, como atos públicos. Além disso, levou a situação a vários órgãos públicos. Até que, em 2013, o movimento culminou com um ato público, que chamou a atenção da mídia e dos gestores de saúde. Agora, chegamos a esse momento, em que fomos procurados pelo Ministério da Saúde para abrir o diálogo e elaborar uma proposta conjunta”, disse Sidney Franklin.
 
Também participaram da reunião, o vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon; a vice-presidente do Sinmed-RJ, Sara Padron;  e o presidente do corpo clínico do Andaraí, Gabriel de Moraes.