Hospitais do Rio irão contratar médicos após denúncias do CRM

14/02/2014


Os hospitais federais do Rio de Janeiro serão obrigados a contratar recursos humanos para suprir o déficit em suas unidades, de acordo com ordem judicial expedida pela 3ª Vara Criminal.  A sentença, conforme destacou o presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira, é fruto de várias denúncias do Conselho ao Ministério Público Federal e representa uma importante vitória.

Com a decisão, o Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Nerj) terá de chamar primeiro, obrigatoriamente, os aprovados no concurso de 2009 – que foi prorrogado até maio deste ano pela Justiça.

O anúncio foi feito pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, o procurador da República Jaime Mitropoulos, durante encontro nessa terça-feira, 12, com o CREMERJ. Na reunião, solicitada pelo Conselho, o CREMERJ apresentou um relatório de visitas atualizado sobre a situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

“A contratação de médicos para as unidades que sofrem com a carência de recursos humanos é uma das principais reivindicações da pauta da luta médica. Portanto, trata-se de uma conquista muito importante para toda a categoria. Mas vamos continuar lutando também por plano de cargos, carreira e vencimentos, salários dignos, mais verbas para a saúde e condições dignas de trabalho”, destacou Sidnei Ferreira.

Na ocasião, o procurador da República informou também que no dia seguinte à reunião seria realizada uma audiência para julgamento da direção do Hospital Federal de Bonsucesso pela situação em que se encontra a emergência da unidade.  Em função de obras, que já duram cerca de cinco anos, os pacientes vêm sendo atendidos em contêineres improvisados, conforme diversos relatórios e denúncias apresentados ao Ministério Público pelo CREMERJ.

“Vou pedir a prisão de todos os gestores envolvidos, tendo em vista o descumprimento da ordem judicial de 8 de novembro de 2012. É um absurdo o que acontece. Cada um passa a responsabilidade para outro e nada é resolvido. Enquanto isso, os pacientes sofrem”, afirmou  Jaime Mitropoulos.

O problema enfrentado pelo Hospital Federal de Bonsucesso tem sido motivo de constantes denúncias por parte do CREMERJ, que já visitou a unidade várias vezes.  Com a estagnação das obras da emergência, há excesso de pacientes e alguns chegam a ser atendidos nos corredores.

“É um absurdo a situação do HGB. O que acontece com a emergência é indigno. Médicos e pacientes sofrem com essa precariedade. A punição dos responsáveis por essa situação caótica, que já se arrasta há anos, servirá de exemplo para os gestores que não têm compromisso com a saúde”, destacou o presidente do CREMERJ.

Na ocasião, o conselheiro Pablo Vazquez lembrou que o sucateamento acontece em todos os hospitais do Rio de Janeiro.

“A situação de todas as unidades do Rio, em todas as esferas, é caótica. Por trás disso, está a tentativa de forçar o Supremo Tribunal Federal a implementar a Ebserh. A Ebserh tem medo de contratar sem uma posição do Supremo e, por isso, não faz concursos. Enquanto isso, o Centro de Queimados do Hospital do Andaraí, por exemplo, está prestes a fechar e o  CTI do Cardoso Fontes também. Se continuar essa inércia, mais serviços serão desativados, e não podemos deixar isso acontecer”, complementou.

A conselheira Erika Reis também participou da reunião.