CREMERJ discute protocolo para pacientes que sofrem de DPOC

13/11/2013


Em reunião solicitada pelo CREMERJ e pela Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro (Sopterj), visando discutir a implantação de um protocolo no Estado para os pacientes que sofrem de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ) informou que vai disponibilizar os medicamentos salmeterol, salbutamol, formoterol e budesonida mais formoterol, previstos no protocolo clínico do Ministério da Saúde "Diretrizes Terapêuticas para DPOC". A medida irá beneficiar cerca de 90% das pessoas com DPOC, que é a sexta causa de mortalidade no mundo.
 
Entretanto, outros fármacos necessários para os casos mais graves não estarão no rol da Secretaria.

O encontro reuniu, em 8 de novembro, na SES-RJ, os conselheiros Serafim Borges e Alexandre Cardoso, responsável pela Câmara Técnica de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Conselho e professor de pneumologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e da Comissão de DPOC da Sopterj; a subsecretária de Atenção à Saúde, Monica Almeida; o Superintendente de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Anderson Lorenço Silva; e o médico e professor de pneumologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Rogério Ruffino.

 
Na ocasião, o CREMERJ apresentou à Subsecretaria de Atenção à Saúde o projeto de um protocolo completo para a DPOC, baseado no do Ministério da Saúde. O documento engloba uma série de iniciativas importantes, desde o diagnóstico até o tratamento e a oferta de medicamentos para os 3.600 pacientes no Estado que sofrem da doença. Desse número, cerca de 350 são pacientes crônicos, que não se beneficiarão com os medicamentos que serão liberados nesse primeiro momento pela Secretaria Estadual de Saúde.
 
"O paciente mais grave precisa de medicamentos adicionais, tais como: tiotrópio, indacaterol e também da associação salmeterol e fluticasona, além de roflumilaste. Até agora, os pacientes só os têm obtido por meio de ações judiciais, mas que, com as normatizações, isto pode ser claramente solucionado com grande relação custo benefício", observou Alexandre Cardoso.
 
Documento já foi avaliado por sociedades organizadas
 
O protocolo para a DPOC apresentado pelo Conselho e pela Sopterj já foi avaliado por sociedades organizadas, que fizeram suas sugestões. Contudo, para ser operacionalizado, necessita passar pela regulamentação das secretarias. O documento prevê que 23 postos, inclusive do interior, das instâncias municipais e estaduais, possam ser estruturados para fazer o diagnóstico e o tratamento e oferecer a medicação necessária para os pacientes.
 
"Não podemos ficar sem ter um protocolo. A nossa proposta busca operacionalizar e avançar no atendimento à população, tendo como base o protocolo do Ministério da Saúde.  Busca construir uma linha de cuidado para o paciente com DPOC, que vai desde a prevenção até a oferta da medicação necessária", destacou o responsável pela Câmara Técnica de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Conselho.
 
Após afirmar que para a implementação do protocolo será necessário envolver outros atores, Mônica Almeida se comprometeu a marcar um encontro para aprofundar as discussões e definir o fluxo da proposta de padronização dos cuidados com os pacientes. Ela afirmou ainda que vai estudar a possibilidade de que o medicamento tiotrópio, indicado para os casos mais graves, seja disponibilizado aos doentes pela secretaria.
 
"Precisamos detalhar o protocolo em suas fases para definir os fluxos e as responsabilidades das áreas municipal e estadual, pensando no conceito da linha de cuidado. Para isso, vamos convidar para o encontro representações de outros níveis da secretaria e dos Conselhos Municipais de Saúde", salientou.