CREMERJ constata irregularidades no HGB

06/02/2013


A Comissão de Fiscalização do CREMERJ esteve mais uma vez no Hospital Federal de Bonsucesso nessa quarta-feira, 6, e constatou que a situação continua crítica na unidade. As obras da emergência permanecem paradas e os pacientes ainda estão sendo atendidos em contêineres. Também foi averiguada a falta de médicos. Só na pediatria, em janeiro, saíram dois especialistas e já se sabe que até março outros dois pediatras deixarão o HGB.
 
Na emergência, que funciona há quase dois anos em contêineres por causa da estagnação da obra, há excesso de pacientes – alguns acomodados nos corredores do hospital. Com capacidade para 30 internações, há 47 pacientes internados. Pelo Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Nerj), foram contratados oito especialistas recém-formados em clínica médica, o que, para os médicos do HGB, não é suficiente.
 
“Fomos informados pela direção do hospital que os médicos contratados são recém-formados, com salários baixos, de R$ 1.900,00 brutos. No entanto, precisamos de médicos experientes devido à complexidade das doenças dos pacientes que procuram essa emergência”, explicou o conselheiro Armindo Fernando da Costa, que também é médico do HGB.
 
O CREMERJ encaminhará o relatório da fiscalização para as autoridades e tomará as providências cabíveis.
 
Transplante de rins pode acabar no HGB
 
Na ocasião, o CREMERJ também se reuniu com médicos da equipe de nefrologia e comissão de ética do HGB. Desde dezembro, não são realizados transplantes de rins no hospital de Bonsucesso – referência no procedimento há mais de 30 anos – por falta de cirurgiões e outros recursos. A luta é para que a unidade de transplante não seja desativada e que 14 cirurgiões sejam contratados. Atualmente, há apenas um cirurgião e dois em treinamento, que não podem operar.
 
De acordo com os médicos, em 2012, foram realizados 190 transplantes renais, sendo 14 em crianças. Com a saída de cirurgiões desde outubro, as cirurgias foram provisoriamente suspensas. Se a situação não for resolvida em tempo hábil, a lista de espera para transplantes poderá ser compartilhada com outras unidades.
 
“O CREMERJ está atento a isso. Temos um Grupo de Trabalho sobre Transplante de Órgãos e Tecidos e vamos levar esse caso para as autoridades. É importante que todos participem da luta pela manutenção do serviço de transplante de nefrologia. Neste momento, o apoio dos serviços fortalecerá o movimento”, disse Armindo Fernando.
 
Os transplantes de fígado – realizados há mais de 15 anos no hospital – também foram suspensos por falta de condições adequadas de recursos humanos e materiais.