Inauguradas em maio de 2007 com a finalidade de realizar atendimentos de emergência e desafogar os grandes hospitais públicos, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) caíram no gosto popular. Com 26 unidades no estado – 16 na capital –, o serviço já atendeu mais de 4 milhões de pessoas desde a sua implantação no Rio, tendo distribuído cerca de 25 milhões de medicamentos para pacientes de todas as idades. O sucesso fez com que outros estados “copiassem” o modelo – são seis unidades fora do Rio, as quais receberam investimentos do Ministério da Saúde – e que o governo federal resolvesse levá-lo além da fronteira brasileira: no início do ano, o presidente Lula anunciou que pretende instalar dez Unidades de Pronto Atendimento no Haiti.
– Estamos ainda apresentando no âmbito do Mercosul uma proposta para construção de UPAs em pelo menos dois países que fazem fronteira com o Brasil: o Peru e a Venezuela, pois há uma preocupação especial do Ministério da Saúde com as áreas da fronteira – revelou o ministro da saúde José Gomes Temporão.
Segundo o ministro, sua pasta pretende investir, até o final do ano, aproximadamente R$ 1 bilhão para as diversas UPAs espalhadas pelo país. Só na nova UPA da Rocinha, inaugurada esta semana, serão destinados R$ 50 milhões para o custeio.
Atendendo a uma necessidade
As Unidades de Pronto Atendimento surgiram da necessidade de se criar um serviço intermediário entre o atendimento básico (postos de saúde) e avançado (hospitais) e procuraram ser instaladas em locais estratégicos, onde há grande procura por serviços de saúde.
– As UPAs são indutoras da organização da rede de saúde, principalmente em muitos locais onde não há nada além delas.
Não há como negar que a UPA facilita o acesso à saúde para a população com uma oferta resolutiva e imediata – afirma o secretário de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes.
Para aprimorar ainda mais o atendimento, a Academia Brasileira de Medicina está realizando, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, um curso de capacitação para 2400 médicos que irão trabalhar nas Unidades de Pronto Atendimento.
– Boa parte dos atendimentos das UPAs são pacientes ambulatoriais, sem a necessidade de um tratamento emergencial, e sim, urgente. Com isso, diminui o afluxo nos hospitais – conta o coordenador do curso, o gastroenterologista José Galvão Alves.
O sucesso do serviço faz boa parte da população carioca confiar no atendimento.
– Prefiro ser atendida numa UPA, pois os serviços de emergência dos hospitais públicos são muito ruins – diz a dona de casa Tainá da Silva, de 18 anos, que levou a filha Raquely, gripada, à UPA da Tijuca.
Ao ser atendida, ela ganhou os medicamentos que precisava para o tratamento da filha: dipirona e xarope.
A estoquista Vanessa Nascimento de Souza, também costuma utilizar-se dos serviços de pronto atendimento.
– Moro no Vidigal, mas venho sempre à UPA de Botafogo, apesar de ter hospitais perto de casa, pois o serviço aqui é muito melhor.