Clipping - Câncer de colo de útero: HPV fica silencioso durante anos

R7 /

11/01/2020


Tumor é a 4ª causa de morte de mulheres por câncer no Brasil; vacina é melhor forma de prevenir a infecção, que ocorre principalmente por via sexual

Janeiro Verde é o mês de alerta para o câncer do colo do útero, o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer).

A infecção crônica genital por HPV (papilomavírus humano) é a principal causa desse tipo de tumor, que acomete apenas uma pequena parte das mulheres infectadas. A vacina é a forma mais eficaz de prevenção.

O problema é que o vírus não apresenta sintomas, mas mesmo assim pode ser transmitido, por isso a importância do exame papanicolau para diagnóstico.

'O HPV é o fator necessário, ou seja, sem a presença dele o câncer do colo do útero é praticamente inexistente', afirma a oncologista ginecológica Michelle Samora, do Centro Paulista de Oncologia do Grupo Oncoclínicas.

De acordo com ela, 80% da população será exposta ao HPV ao longo da vida, mas a maioria elimina o vírus em cerca de dois anos.

'Na fase inicial o HPV não tem sintomas. Eles aparecem, na maioria das vezes, somente quando a pessoa já desenvolveu o câncer, o que leva mais de 10 anos', explica.

Os sinais são sangramento vaginal, corrimento e dor durante as relações sexuais. Em casos avançados, há sangue nas fezes. 'Toda mulher que tem relação sexual e depois sangra deve procurar o ginecologista', alerta a médica.

As lesões em forma de verrugas nos genitais e no ânus costumam ser causadas por tipos de HPV não cancerígenos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Segundo Michelle, existem mais de 100 tipos de HPV, destes, 12 são considerados de alto risco em relação ao tumor.

Papanicolau

Diante da característica silenciosa do vírus, a oncologista ressalta a importância da realização do papanicolau para prevenir o câncer do colo do útero.

'O exame coleta células do colo do útero. Quando a paciente está infectada, são vistas alterações de tamanho, por exemplo', esclarece.

O Ministério da Saúde recomenda que o papanicolau seja feito a partir dos 25 anos, anualmente por dois anos. Se não for detectada nenhuma mudança, a mulher deve ser examinada a cada três anos, até chegar aos 74 de idade.

'O exame vem alterado só para metade das mulheres que têm HPV, por isso é importante repetir', enfatiza a oncologista.

'Já o câncer atinge mulheres jovens em idade fértil. Quando diagnosticado precocemente, dá para fazer a cirurgia [que remove o tumor] e preservar o colo do útero', observa. 'A maioria é diagnosticada na fase local do câncer, então o tratamento é curativo', acrescenta.

Transmissão por contato, principalmente sexual

O HPV é transmitido por meio do contato com a pele ou mucosa infectada. As relações sexuais são a principal forma de contágio, que pode acontecer mesmo sem penetração.

'Pode ocorrer transmissão por sexo oral e pelo toque dos dedos na região genital', explica Michelle.

A oncologista cita um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 128 mulheres universitárias de 18 a 22 anos: foram coletadas 357 amostras da ponta dos dedos - 14,3% tinham HPV e 20% dos vírus que infectaram os genitais também estavam presentes nos dedos.

Vacina é a prevenção mais eficaz

A vacina protege contra a infecção pelo HPV - e consequentemente o câncer do colo do útero - em 98% dos casos, de acordo com a especialista. Devem ser tomadas duas doses: a segunda precisa ser aplicada seis meses após a primeira.

'Com a camisinha, a proteção é de 70%, pois existem áreas genitais que ela não cobre, como a vulva e a região pubiana', destaca Michelle.

A vacinação é oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. 'Esse é o público-alvo porque a produção de anticorpos é maior quando a pessoa é mais jovem e nunca foi exposta ao HPV', diz a médica.

Ela ressalta que para eliminar o HPV, a cobertura vacinal deve ser de 90% da população alvo, mas no Brasil está baixo de 50%.

'Isso acontece por causa da desinformação dos pais. Existe um tabu, porque eles pensam que estão dando a 'vacina do sexo' em suas filhas e que elas sempre serão puras. É preciso desmistificar isso', analisa.