Clipping - Brasil falha no registro do câncer de pulmão

O Globo /

02/08/2019


Levantamento do Instituto Oncoguia revela que números oficiais da doença estão muito aquém do total de casos diagnosticados; Enfermidade nos órgãos respiratórios está entre as mais letais no país e no mundo
Dados divulgados ontem pelo Instituto Oncoguia apontam que o câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil. Ao mesmo tempo, a doença possui taxas extremamente baixas de registros oficiais. Em 2018, 34.511 novos casos foram identificados pelo Globocan, projeto da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Em 92% dos registros (31.856), o paciente morreu em decorrência da doença. 

O câncer de pulmão é o primeiro em incidência e mortalidade no mundo. De acordo com o Globocan, mais de 1,7 milhão de pessoas morreram em decorrência da doença em 2018. No Brasil, ele é o primeiro em mortalidade e o quarto em incidência. Está atrás apenas do colorretal, em 3º lugar, do de próstata, em 2º, e do câncer de mama, o mais incidente no país. Para 2019, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 31.270 novos casos de câncer de pulmão. 

Os dados foram apresentados no Radar do Câncer de Pulmão no Brasil, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Além da alta taxa de mortalidade do câncer de pulmão, especialistas alertam sobre a falha em registros oficiais da doença. Apenas 24,5% dos casos foram oficialmente notificados no Brasil em 2016. 

Dados mais atualizados do Inca estimavam 28.220 novos casos, porém, segundo o Registro Hospitalar do Câncer (RHC), houve documentação oficial de apenas 6.915 casos. 

CIGARRO É MAIOR VILÃO Luciana Holtz, presidente do Oncoguia, afirma que os casos oficialmente registrados não representam a realidade do câncer de pulmão no Brasil, uma vez que o sistema de controle no país não é eficiente. 

- Batalhamos pela notificação compulsória do câncer, que é uma lei que já foi aprovada há um ano, mas ainda não conseguimos implementar. Ouvimos dos registradores que existe falta de estrutura, dificuldade de acesso aos dados e problemas para computá-los. Há inúmeras barreiras. Não existe um prontuário eletrônico nacional que regule tudo, e não temos uma linguagem única e integrada. 

Um dos fatores que colaboram para a alta taxa de mortalidade é o registro tardio da doença. Segundo o Inca, 86,2% dos casos de 2016 foram notificados em estágios avançados da doença, o que diminui as chances de tratamento e cura. O cigarro é o maior agente causador do câncer de pulmão, de acordo com o levantamento: em 79% dos casos, os pacientes eram fumantes ou ex-fumantes. Apenas 21% nunca tiveram contato com o tabaco. Parar de fumar é a forma mais eficaz de 92% Taxa de mortalidade Dos 34.511 casos de câncer de pulmão no país em 2018, 31.856 levaram à morte do paciente 31.270 Estimativa para 2019 0 Instituto Nacional do Câncer prevê que esse será 0 número de casos da doença neste ano 24,5% Subnotificação no Brasil Em 2016, menos de um quarto de todos os casos da enfermidade foram oficialmente registrados se prevenir contra a doença. E o que defende a presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Irmade Godoy. 

Se as pessoas pararem de se expor ao tabagismo, realmente terá uma diminuição da prevalência.