Clipping - Mãe relata drama após filha ficar sem oxigênio em UPA; sindicância vai apurar o problema

Extra /

25/04/2019


Mãe relata drama após filha ficar sem oxigênio em UPA; sindicância vai apurar o problema

A Secretaria estadual de Saúde admitiu ontem que houve problema no abastecimento de oxigênio na UPA da Ilha do Governador, na madrugada de domingo e que, por isso, instaurou uma sindicância para apurar o que ocorreu. O órgão negou que os bebês internados tenham sido prejudicados, pois “foram usados cilindros reservas”. A informação, no entanto, é contestada por pelo menos uma das mães das três crianças que precisaram ser transferidas para outras unidades.

— O pessoal da UPA alegou que ligaram para a empresa terceirizada (que fornece oxigênio) e que eles iriam trocar os cilindros. Mas, quando o oxigênio voltou, por volta das 8h de domingo, acabou de novo cerca de duas horas depois — contou Martinália Silva de Araújo, mãe de Lorenna, de apenas 1 mês e 20 dias.

Segundo ela, foram momentos de desespero durante a madrugada de domingo, com a filha piorando sem oxigênio. A transferência da menina só foi possível na parte da tarde, quando surgiu uma vaga no Hospital municipal Jesus, em Vila Isabel. Lorenna segue internada, mas está fora de risco.

— Na sexta-feira, levei minha filha às pressas para a UPA. Os médicos diagnosticaram bronquiolite. No dia seguinte, o quadro agravou para pneumonia. Ela estava saturando mal e foi preciso usar máscara para receber oxigênio. Mas, na madrugada de domingo, todos os bebês ficaram muito tempo sem oxigênio. Os médicos estavam preocupados, procurando outras unidades para fazer a transferência. Nós, pais, nos desesperamos. O filho da minha colega ficou roxo — relatou Martinália.

O menino a que ela se refere é Fabrício dos Santos Oliveira, de 4 meses. O caso dele é o mais grave. A saturação de oxigênio no sangue do bebê ficou abaixo de 60%, quando o ideal é acima de 95%. A criança foi levada para o Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo.

— De duas em duas horas, acabava o oxigênio. Teve um dia que o oxigênio chegou às 9h e, ao meio-dia, já não tinha mais. Meu filho começou a ficar roxo, chegou aqui praticamente morto — disse Daniela Oliveira, mãe do Fabrício, em entrevista à GloboNews.

O outro bebê que precisou ser transferido é Bryan Guedes de Azevedo, de 8 meses. Ele está estável, segundo a Secretaria municipal de Saúde, e internado no CER Leblon.

Cremerj fará visita técnica para investigar o caso

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) informou ontem que vai fazer uma visita técnica à UPA Pediátrica da Ilha para apurar o que aconteceu com o abastecimento de oxigênio.

A pediatra Rafaella Leal, diretora do Cremerj, disse que o bom funcionamento do sistema de oxigênio, principalmente nesta época do ano, é fundamental. Segundo ela, casos de bronquite e bronquiolite são comuns no outono.

— Para o tratamento da bronquiolite é necessário o oxigênio. É fundamental. Tanto que a nossa orientação é para que os pais levem imediatamente para uma emergência — disse Rafaella: — Os bebês que ficam sem receber oxigênio podem ter sequelas e precisam de acompanhamento.

O médico Daniel Hilário, intensivista pediátrico e neonatal, membro da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio, explica que, quando a criança não responde à oxigenioterapia oferecida por meio de máscara, o passo seguinte é entubar e colocar em ventilação mecânica, com oxigênio.

— Casos graves não deveriam nem estar numa UPA, mas num hospital com ventiladores mecânicos apropriados. Uma criança saturando 60% é muito baixo — disse Hilário, acrescentando que crianças, principalmente bebês, com cansaço e dificuldade para respirar, devem ser levadas o mais rápido possível à emergência para avaliação.

Procurados, a empresa SeparAr, que fornece oxigênio para a UPA da Ilha, e a Viva Rio, organização social que administra a unidade, não se manifestaram.