Clipping - Especialistas desmentem mitos sobre vacinas

O Globo /

01/07/2019


Em edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar, na última quarta-feira, médicos alertaram para a necessidade de imunização de adultos e crianças; sem ela, doenças já erradicadas podem voltar a circular 


No Brasil, embora o movimento antivacina não se jaexpressivo como, porexemplo, nos Estados Unidos, é necessário intensificar campanhas e reforçar a imunização contra doenças como a febre amarela e o sarampo. 

Especialistas presentes ao Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar, realizado em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem), discutiram na última quarta-feira a importância da vacinação para evitar a volta de doenças já controladas. 

Alberto Chebabo, infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), ressaltou a necessidade de explicar à população a importância de campanhas como da gripe e desmentir mitos em torno do tema:

- Não existe a possibilidade de ficar doente pela vacina, pois o vírus utilizado no processo é inativo. O que acontece é que a influenza é apenas um dos tipos mais graves de vírus respiratórios. Mas existem outros tipos mais brandos, que causam sintomas parecidos, por isso há essa associação.

POPULAÇÃO ENVELHECENDO

A imunização de adultos vai além das campanhas da gripe. Para infecções como a herpes-zóster, a vacina é recomendada para maiores de 50 anos. De acordo com Edmilson Migowski, doutor de Infectologia da UFRJ e consultor do Cepem em Doenças Infecciosas, nos Estados Unidos, por exemplo, pessoas com mais de 60 anos são as mais atingidas pela doença. 

- A população brasileira está envelhecendo, e é necessária uma atenção especial para isso. A imunização contra a coqueluche, por exemplo, precisa ser reforçada na vida adulta -analisa. 

A febre amarela, doença que havia sido eliminada das áreas urbanas, voltou a circular no país há cerca de 20 anos. Em 2017, casos voltaram a ser notificados em cidades do litoral. Atualmente, poucos municípios não têm a circulação do vírus. E o fato de a doença ser silvestre impede que ela seja erradicada completamente. Por isso, é essencial que a população esteja vacinada, defendem os especialistas. 

O cardiologista Cláudio Domênico, coordenador do evento, ressalta que, assim como a febra amarela, outras doenças que já estavam erradicadas voltaram a circular. O surto de sarampo em Roraima em 2018, por exemplo, poderia ter sido evitado se houvesse imunização adequada da população. 

Doenças como a hepatite A, comum em crianças, pode ser evitada em adultos se houver vacinação correta do público infantil. 

-Quanto mais se investe em vacinas, mais se reduzem os casos de doenças - diz Domênico, ressaltando que o medo dos efeitos colaterais não deve impedir a procura pela imunização: -Algumas causam reação, mas com certeza o benefício ainda é maior. 

O desaparecimento de algumas doenças e o desconhecimento das sequelas causadas são apontados pelos médicos como alguns dos fatores para o distanciamento da população da imunização.